Carta ao Investidor
Maio de 2026
Relatório mensal da gestão
O mês de maio confirmou o ditado: "sell in May and go away", tão relembrada pelo mercado e por seus operadores, frase que ficou conhecida por seu utilizada por banqueiros britânicos que operavam na Bolsa de Londres.
O Ibovespa acumulou queda de 7,22%, marca que entra para a história recente da nossa bolsa como o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023, fechando em 173.787 pontos.
O índice havia renovado recordes em abril (máxima de 199.355 pontos em 14/04) e, desde então, acumulou 31 sessões em que subiu em menos de um terço dos pregões. Sem Reunião do Copom, a Selic permanece em 14,50% ao ano e o destaque de maio fica para o nosso IPCA-15 de maio, que registrou 0,62% no mês, com o acumulado em 12 meses subindo a 4,64% (acima do teto da meta de 4,50%). O Boletim Focus de 25 de maio elevou o IPCA projetado para 2026 pela 11ª semana consecutiva, para 5,04%, e a Selic esperada ao fim do ano para 13,25%. O petróleo Brent, que havia oscilado na faixa de US$ 100–110, recuou ao final do mês para cerca de US$ 92 após sinais preliminares de possível acordo entre EUA e Irã. O dólar subiu 2,18% em maio, mas acumula queda de 7,79% no ano.
Cenário Macroeconômico — Brasil
Copom em pausa - Selic inalterada em 14,50%
No mês de maio, a nossa autoridade monetária não se reuniu, porém os diversos desdobramentos do conflito, as novas negociações entre Brasil e EUA e os dados de inflação, levantaram diversas apostas no mercado sobre o rumo da Selic na reunião do mês de junho.
Em sua última reunião, o Banco Central havia sinalizado, na ata daquela reunião, que os próximos passos dependerão da evolução dos dados, especialmente da inflação e do cenário externo, sem oferecer guidance explícito sobre a trajetória futura dos juros.
O ambiente de maio, não favoreceu a aceleração do ciclo de cortes, já que o IPCA-15 de maio acelerou e o Focus revisou as projeções de inflação e Selic para cima pela 11ª semana consecutiva, com mercado projetando a Selic em 13,25% ao ano ao fim de 2026, acima dos 13,00% precificados no início do mês.
Soma-se aos dados prévios de inflação do mês, a divulgação do PIB do primeiro trimestre de 2026, que apresentou crescimento de 1,1%, acima da expectativa do mercado, o que reforça certa resiliência da nossa economia, mesmo com juro real elevado

Inflação: IPCA-15 de maio sobe a 4,64% em 12 meses
O IPCA-15 de maio registrou alta de 0,62% no mês, acima das expectativas do mercado, elevando o acumulado em 12 meses a 4,64% e acima do teto da meta de 4,50%. O dado mais recente do IPCA oficial (abril/26, divulgado pelo IBGE) foi de 0,67% no mês, com o acumulado em 12 meses em 4,39%.
A pressão inflacionária em maio refletiu principalmente os efeitos defasados do petróleo elevado sobre combustíveis e fretes, além de alimentos. A possibilidade de queda do petróleo ao final do mês, com sinais de acordo EUA-Irã, pode trazer algum alívio nos próximos meses, mas a desancoragem das expectativas inflacionárias já está estabelecida.
Câmbio e atividade econômica
O dólar subiu 2,18% em maio, revertendo parte da apreciação do real observada no início do ano. Apesar disso, a moeda americana ainda acumula queda de 7,79% em 2026. Um ponto relevante e que fez muito preço na Bolsa de Valores Brasileira, foi a saída de capital estrangeiro, que havia injetado quase R$ 57 bilhões no 1º trimestre e foi o principal vetor de pressão cambial no mês.
A expectativa do mercado para o PIB de 2026 avançou de 1,85% para 1,89% no Focus de 25 de maio, refletindo a resiliência do mercado de trabalho e do consumo das famílias, reforçado pelos dados divulgados durante o mês. Além disso, o ruído político, com pesquisas eleitorais e o debate sobre a escala 6x1, adicionou volatilidade à nossa moeda.
— CENÁRIO INTERNACIONAL
Guerra no Oriente Médio: impasse e queda do petróleo ao final do mês
As tensões geopolíticas, apesar de aparecerem menos nos noticiários no mês de maio, ainda marcaram intensa volatilidade no petróleo. O Brent, que é usado como referência pela Petrobrás, oscilou entre US$ 100 e US$ 107 por barril na maior parte do mês, antes de recuar com força ao final do período, chegando a cerca de US$ 92, após notícias de possível esboço preliminar de acordo entre EUA e Irã para restabelecer o tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz.
A Casa Branca negou o avanço, mas o presidente Trump sinalizou abertura para negociações, o que foi suficiente para derrubar o Brent 4,57% em um único pregão.
O petróleo permanece mais de 25% acima dos níveis pré-conflito mesmo após a queda de final de mês. A incerteza sobre a reabertura efetiva do Estreito de Ormuz seguirá como variável-chave para os mercados e para a trajetória da inflação global nos próximos meses, uma vez que, diferente do que acontecia em outros anos onde os juros dos EUA ditavam o rumo do mundo, hoje é o petróleo que estabelece para onde as economias e os Banco Centrais precisam correr.

Fed: maior divisão interna em 33 anos — e novo chairman
O Federal Reserve manteve os fed funds em 3,50%–3,75% ao ano no final do mês de abril, porém o que chamou mais atenção na decisão foi a maior divisão interna do FOMC em três décadas. Maio ainda marcou a transição para Kevin Warsh como novo chairman, o que introduzindo incerteza adicional sobre a direção da política monetária americana, visto que ele foi escolhido por Trump e em alguns momentos já sinalizou o desejo de reduzir juros, mesmo nesse cenário tão adverso para a economia global.
— DESEMPENHO DOS PRINCIPAIS ATIVOS — MAIO 2026
ATIVO / INDICADOR
Ibovespa (pts)
Ibovespa (fechamento)
−7,22%*
14,50% a.a
Alta de 2,18%
13,25%
5,04%
3,50–3,75%
PIB: 1,89%
Queda no fim do mês
Mín. desde jan/26
Acum: −7,79%
Pausa no ciclo
Sem reunião COPOM em maio
Acima do teto (4,50%)
Dólar projetado a R$ 5,17
31/05/2026
Maior divisão FOMC em 33 anos
Sinal de acordo EUA x Irã
Real perde força
Último dado oficial IBGE
Acima do teto da meta
0,62% no mês
Estável
4,39% (12m)
11ª alta consec.
~US$ 92/barril
4,64%
0,67% no mês
173.787 pts
IPCA-15 (12 meses)
Focus IPCA 2026 (25/mai)
Focus Selic fim 2026
Petróleo Brent
Fed Funds Rate
IPCA oficial (abr/26)
Dólar (variação mês)
Selic
Pior mês desde fev/2023
+7,86%*
MAIO / 26
Acum. 2026
Comentário
Fontes: B3, BCB/Focus (25/mai/2026), IBGE, Agência Brasil, Jornal de Brasília. *Dados de fechamento em 29/05/2026.
— Mercado de Renda Variável
O Ibovespa registrou em maio a maior perda mensal desde fevereiro de 2023: −7,22%, fechando em 173.787 pontos, a mínima de fechamento desde 21 de janeiro. A partir de 14 de abril, quando o índice marcou a máxima histórica de fechamento (199.355 pontos), foram 31 sessões e o Ibovespa subiu em apenas 9 delas.
A Petrobras foi o papel de maior peso negativo, uma vez que as ações ordinárias recuaram 14,62% e as preferenciais, 14,43% em maio, acompanhando a correção do petróleo.
Os bancos também pressionaram, com o Banco do Brasil caindo 1,50% no pregão do encerramento do mês. Na ponta positiva, Vale subiu 2,02% em maio e Totvs avançou 4,16% na última sessão. Importante reforçar, que os fundamentos das empresas seguem sólidos, visto que a temporada de resultados do 1T26 foi construtiva, com resultados de boa parte das empresas acima do consenso e a queda do mês reflete principalmente o fluxo e o humor de mercado, não deterioração estrutural. A retomada do índice nacional para patamares mais elevados dependerá do desfecho do conflito no Oriente Médio e da trajetória da inflação, já que ainda existe um fluxo muito grande de recursos para os países emergentes, principalmente os asiáticos, onde as bolsas fecham em máximas históricas dia após dia nas últimas semanas.
— MERCADO DE RENDA FIXA
Com a Selic em 14,50% ao ano, os títulos pós-fixados (Tesouro Selic / LFT e equivalentes) seguem como a âncora de qualidade dos portfólios. O carrego mensal próximo de 1,18% ao mês oferece proteção natural num ambiente de maior volatilidade e incerteza. Com a projeção do Focus para a Selic ao fim de 2026 em 13,25%, o ritmo de cortes tende a ser gradual, o que permite aproveitar o carrego elevado por mais tempo.
Nos títulos IPCA+, as taxas reais seguem em patamares historicamente atrativos e, a deterioração das expectativas inflacionárias, pressionou a marcação a mercado dos vencimentos mais longos ao longo do mês.
Para quem tem horizonte compatível, os níveis atuais representam entrada interessante, agora, para quem precisa de liquidez no curto prazo, preferimos manter duration curta e instrumentos pós fixados.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA seguem como um dos maiores do mundo, sustentando a atratividade estrutural da renda fixa brasileira para o investidor estrangeiro, o que tende a auxiliar a entrada de recursos no país, mesmo que em alguns momentos ocorram rotações estratégicas por parte dos investidores internacionais para os demais países emergentes.
— Perspectivas para junho e o 2º semestre
A próxima reunião do Copom está marcada para o mês junho e, uma vez que na última ata a autoridade monetária não deu indícios do que pretendia fazer nessa reunião, as expectativas ainda são de cortes de 0,25pp, o que levaria a Selic a 14,25% ao ano, taxa ainda elevada. Como o mercado projeta a Selic em 13,25% ao ano ao fim de 2026, com ritmo de cortes mais gradual do que o esperado antes da guerra, olhamos um possível cessar-fogo no Oriente Médio e a reabertura do Estreito de Ormuz como principais catalisadores positivos: queda do petróleo, alívio inflacionário e potencial aceleração dos cortes da Selic.
O calendário eleitoral de outubro de 2026 começa a ganhar peso crescente nas análises de risco, trazendo atenção ao cenário fiscal e à agenda econômica, já que é natural nesses anos de eleição um aumento substancial dos gastos, que já estão elevados e tendem a impactar a inflação corrente, que já está desancorada.
O IPCA de maio (oficial, a ser divulgado pelo IBGE em junho) será o próximo dado relevante para calibrar o cenário e, caso apresente algo acima da projeção e com os núcleos ainda resilientes, podemos ver o Banco Central interromper o corte de juros.
Para os portfólios, mantemos visão de cautela construtiva, uma vez que o cenário base se mantém: renda fixa pós-fixada ainda é a base de sustentação da carteira, a exposição seletiva em renda variável com foco em qualidade e baixa alavancagem, uma vez que o cenário está trazendo cada vez mais empresas com dificuldades de honrar suas dívidas, vide o caso de Raízen, é necessário manter atenção redobrada à duration, sendo recomendado na renda fixa uma alocação para ativos IPCA entre 5 e 7 anos e ativos prefixados no intervalo de até 3 anos, evitando concentração excessiva em vencimentos longos.
A volatilidade do curto prazo não altera a narrativa estruturalmente construtiva para os ativos brasileiros no médio prazo, por isso é importante avaliar a carteira em janelas de tempo, mesmo que alguns meses impactem a rentabilidade, a diversificação do portfólio tende a gerar melhores resultados no médio prazo.
Por fim, é importante estar atento aos movimentos dos ativos de Inteligência Artificial, que em boa medida podem ser diferenciais para a composição dos portfólios. Isso muito em virtude não só do desempenho das empresas, mas também das decisões de grandes corporações, como o Google que irá emitir US$ 80 bilhões de ações para investir em IA e, um dos principais compradores será a Berkshire Hathaway, do lendário Warren Buffett.
Equipe de Gestão
RS Legacy · Gestão Patrimonial · Maio de 2026




